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16 julho 2014

Menina Escondida

    Aquela pobre garota, eu falo dela, pois dela ninguém sabe para poder falar. Nunca usou fita no cabelo, nunca usou sapato de boneca. Muito facilmente ela passa por você sem ser notada, a sombra do silêncio habita seus grandes olhos e cabelos negros, qualquer um que os visse se perderia na imensidão escura deles, mas ela quase não os mostra a ninguém. Magra e quase pequena demais, mas não tanto assim, ela seria do tipo de garota a qual as canções que não tocam na rádio falariam sobre, se alguém soubesse dela para falar.
    Menina escondida mostre seus olhos, no meio das flores em sua roupa preta ela deita e observa o céu, desaparecendo em meio á névoa, ninguém sabe para onde vai, e ninguém sabe dela para perguntar.
    Se alguém soubesse dela poderia falar, que passa horas perdida em meio ás areias desertas de uma praia qualquer, construindo os castelos flutuantes de um reino proibido, moldando pétalas, emprestando seu perfume ás flores e ensinando as borboletas á voar. Colecionando chaves de portas esquecidas que não levam a nenhum lugar. Recortando palavras passadas para o futuro moldar. Soprando a água salgada do mar só pra ver uma onda se formar. Vestindo rendas pretas para com os corvos dançar. E no fim tudo se torna uma imensidão escura que ela guarda para ninguém encontrar.
    Ela passa por você, e você não vê, não consegue enxergar. Porque você não sabe dela, nem nunca viu ela para notar, que a menina não existe, mas não está lá para provar. 

     Texto sem noção cheio de rimas estúpidas que deu vontade de escrever.

09 abril 2014

Roubando como Artista


O adorável e vasto o deserto que periodicamente se torna minha mente não é tão agradável quanto adorável. Não é legal ficar sem ideias. Mas acho que todo mundo já passou por isso, e a pergunta que todos queremos ver respondida não é o significado da vida, universo e tudo mais, mas sim, como se livrar dos bloqueios criativos?
   Grilos cantando ao fundo e você na frente do computador/papel á horas, mas o que é que eu estou fazendo mesmo? Então resolve pesquisar no Google como acabar com esse terrível desconforto, mas nenhum resultado é satisfatório, afinal você já tentou de tudo, listas, dar um tempo, cantar no chuveiro... Até agora nada de bom ou útil passou pela sua cabeça e então você resolve escrever um post sobre seu bloqueio criativo... mas nada ainda. A possibilidade de desistir é grande, e a vontade também, eu posso ir ler ou ir ver algum filme da minha grande lista, tenho tantas séries que quero assistir...
    Aparentemente ficar escrevendo asneira aqui não vai me trazer nenhuma iluminação espiritual altamente criativa. Talvez eu devesse me tornar uma ladra e começar a roubar ideias, afinal, foi o próprio Picasso que disse que "Bons artistas copiam, grandes artistas roubam", acho uma ótima filosofia de vida, acho que irei adotá-la pra mim.
   Mas de quem eu roubaria? Acho que roubaria de cantores e suas letras melancólicas transformando-as em personagens e imagens concretas, converteria melodia em cor e ritmo em forma.
 Roubaria de diretores, atores e escritores suas histórias, mundos e personagens, logo suas frases de efeito seriam minhas e só minhas, se alterariam para se encaixar nessa nova fotografia da minha vida, que teria figurino e elenco dignos de Oscars.  Roubaria de pintores e desenhistas suas pinceladas, técnicas e estilo, e tudo o que eles já roubaram anteriormente, roubaria deles isso também. Tomaria suas mensagens e sentimentos, e faria de suas paletas de cores a minha.
  Eu seria uma ladra, mas ninguém saberia, por que tudo isso seria tão eu e tão meu que seria impossível provar o contrário. Eu seria uma ladra, transformaria o nada em tudo e a inspiração em arte.

11 outubro 2012

Dias Gelados

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  São os dias nublados, escuros e gelados que trazem de volta partes de mim que foram levadas pela rotina, ouço o som das gotas de chuva rebaterem no telhado, do vento soprando as folhas das árvores e do silêncio que toma conta do dia. São os dias nublados que me renovam, levando partes de mim que não me fazem bem, esvaziando minha mente das coisas turbulentas e deixando espaço para novas ideias e pensamentos. São os dias escuros que me prendem dentro de mim mesma me forçando revisar cada pedacinho. São nos dias gelados que  eu me tranco dentro da minha própria realidade, para que apenas um instante meu coração volte a bater.